Tempo

Onde estaremos daqui a dez anos?

Formandos da escola do Sesi produzem cápsula do tempo para ser aberta em 2030

Divulgação -

O fim do ensino médio é um momento de dúvidas. É nesse período que o jovem começa a se indagar o que fará a partir de então, quais são os sonhos que pretende realizar, as metas que quer atingir, os caminhos que quer ou não percorrer. Pode ser sofrido esse processo de fim de ciclos. Mas pode ser bonito também. É assim que pretendem os estudantes da Escola de Ensino Médio Sesi Eraldo Giacobbe. Nesse 2020 tão atípico, eles bolaram uma cápsula do tempo, com objetos significativos e afetivos, que será aberta daqui a dez anos.

O projeto surgiu de uma proposta já existente dentro do Sesi: no primeiro ano do Ensino Médio os alunos são estimulados a projetarem desejos e sonhos para os próximos três anos através de cartas. Ao fim do período, esses escritos são abertos em momentos significativos e, sobretudo, afetivos. “Pensamos nesta proposta da cápsula para daqui dez anos com o mesmo objetivo: nos projetarmos para o futuro, mas também relembrar como eram as coisas em um ano tão atípico, como evoluímos, crescemos e construímos novos caminhos durante este período”, explica a estudante Ana Luísa Ferreira de Oliveira, de 18 anos. Nesta semana, alunos fizeram ainda uma cerimônia on-line de formatura.

Na opinião dela, essas propostas de aprendizado mais lúdico tiveram grande importância no 2020 à medida em que contribuíram para manter os vínculos, deixar viva a vontade de aprender e provocar a reflexão sobre o conteúdo abordado em sala de aula. “Serviu para encerrarmos este ciclo de fim do ensino médio e nos ajudou a perceber quantas construções individuais tivemos neste ano tão diferente, além de relembrar como foi a adaptação a esta nova rotina, traçar novos objetivos a partir deste novo mundo nunca vivido e sentir saudades desde já dos nossos colegas e professores.”

A ideia é que a cápsula seja aberta em 2030, o que leva os alunos a pensar onde gostariam de estar. Felipe Moura, de 18 anos, comenta que gostaria de estar realizado a partir das escolhas que terá feito. “Quero alcançar meus sonhos e ter muita saúde para rever meus velhos amigos de escola.” Ele escolheu cartas como objetos para serem guardados. Mensagens escritas por familiares e por ele mesmo e também recortes de jornais e um pen drive com memórias de 2020.

Ana Luísa tomou decisão semelhante. Cartas, muitas fotos e um pendrive com músicas e vídeos fizeram parte da escolha com o objetivo de relembrar a fase, os atuais objetivos e quem ela era em 2020.

Para a professora Joice Madeira dos Reis, que acompanhou e coordenou o projeto, num período recheado de incertezas como o que passa o mundo atualmente, iniciativas lúdicas como a cápsula do tempo são aliadas também dos professores. “A pandemia, ao nos afastar das atividades escolares, exigiu que pensássemos estratégias para nossos alunos manterem-se conectados com nossa ‘nova escola on-line’. Isso incluiu mantermos vivos os projetos que já desenvolvemos há mais tempo.”

E talvez o sucesso e a importância que a ludicidade tem adquirido dentro da educação possam contribuir para que ela se mantenha em sala de aula mesmo quando tudo passar.

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